por: Juan Camilo Plazas

Uma jornada pioneira de quatro dias na região de Uyacali, na Amazônia peruana, aproximou os compradores membros da RSPO dos produtores e comunidades que trabalham com óleo de palma sustentável. O gerente de comunicações da RSPO (Américas), Juan Camilo Plazas, reflete sobre sua experiência imersiva.

Imersão dos participantes no mundo do óleo de palma sustentável com atividades didáticas.

Desde que entrei para a RSPO há apenas alguns meses, minha compreensão de sustentabilidade assumiu um significado totalmente novo.

Depois de anos trabalhando em comunicações corporativas e relações públicas, moldado pela narrativa de responsabilidade ambiental do setor privado, esta foi minha primeira exposição real ao que a sustentabilidade realmente significa na prática e às pessoas que a tornam possível.

Em maio passado, tive o privilégio de viajar para a região de Ucayali com um grupo de representantes apaixonados pela sustentabilidade de empresas líderes em bens de consumo nos Estados Unidos, México e Brasil, incluindo Empresa de chocolates Blommer, Edgewell Personal Care, Grupo Bimbo, Hershey, Natura, e a Empresa JM Smucker.

Nosso passeio, organizado pela RSPO, foi projetado para promover conexões diretas entre esses compradores de óleo de palma sustentável e os principais atores do setor de óleo de palma sustentável do Peru: a Associação de Produtores de Palma de Monte Alegre (APROMAN), o Comitê Central de Palmicultores de Ucayali (COCEPU), Oleaginosas Amazônicas SA (OLAMSA) e Agroindústrias Oleaginosas del Perú SA (AOPSA). 

Circularidade na Amazônia 

Nossa viagem começou em Lima, uma capital movimentada que preparou o cenário para o que seria uma imersão inesquecível em sustentabilidade, comunidade e cultura. Partimos nas primeiras horas da manhã seguinte para Pucallpa, uma cidade vibrante e dinâmica no coração da Amazônia peruana e um polo fundamental para a produção sustentável de óleo de palma do país.

Ao chegar a Pucallpa, fomos visitar a OLAMSA, uma usina de óleo de palma com mais de 23 anos de experiência. Sob o sol da Amazônia, testemunhamos em primeira mão como cachos de frutas frescas são esterilizados, debulhados, prensados, clarificados e secos para produzir óleo de palma bruto. Foi um processo fascinante que depende não apenas de tecnologia avançada, mas também de mão de obra altamente qualificada, seguindo os princípios de economia circular.

Em seguida, visitamos a AOPSA, a refinaria social da região, uma instalação criada para agregar valor à comunidade e, ao mesmo tempo, gerar impacto social positivo. Lá, o óleo de palma bruto é refinado, separado e envasado para uso doméstico e industrial, incluindo a produção de gordura vegetal. Foi impressionante ver como ambas as empresas contribuem para o desenvolvimento econômico da região, ao mesmo tempo em que promovem práticas sustentáveis.

Aprendendo com a terra, sabedoria ancestral

Representantes de sustentabilidade de empresas compradoras, associações de pequenos produtores peruanas, RSPO e Solidaridad.

Conhecida por seu conhecimento ancestral, tradições espirituais e arte geométrica chamada Kené, esta comunidade nos lembrou da profunda relação entre as pessoas e a natureza, uma conexão que se alinha intimamente com os valores que buscamos manter no setor da sustentabilidade.

Juntamente com nossos colegas compradores dos Estados Unidos, México e Brasil, nossos gentis anfitriões do Peru e nossos parceiros da Solidaridad, continuamos nossa jornada visitando uma fazenda pertencente à APROMAN, a primeiro grupo de pequenos agricultores independentes no Peru a se tornar elegível para a certificação RSPO. Lá, fomos recebidos pelo Sr. Angulo, um produtor experiente cujas mãos e histórias refletem décadas de trabalho duro que hoje produzem resultados tangíveis graças ao óleo de palma sustentável. 

Nossos colegas da Solidaridad lideraram uma atividade prática com jogos educativos para explorar as complexidades da produção de óleo de palma e da sustentabilidade. Foi um dia longo, mas profundamente enriquecedor, repleto de trocas inestimáveis ​​e aprendizado mútuo.

No nosso último dia, tivemos a extraordinária oportunidade de concluir o passeio com uma visita à comunidade indígena Shipibo-Konibo, em São Francisco. Conhecida por seus conhecimentos ancestrais, tradições espirituais e pela arte geométrica chamada Kené, essa comunidade nos lembrou da profunda relação entre as pessoas e a natureza, uma conexão que se alinha intimamente com os valores que buscamos defender no setor da sustentabilidade.

Olhando para trás: pessoas dando vida à sustentabilidade

Ao longo de quatro dias, adquiri uma compreensão muito mais profunda e prática do que a sustentabilidade significa na prática. Testemunhar os esforços de pequenos produtores e compradores trabalhando juntos para construir um setor de óleo de palma mais responsável no Peru foi revelador – me lembrou que a sustentabilidade não se resume apenas a estruturas e políticas, mas sim às pessoas que a tornam realidade todos os dias, muitas vezes em condições desafiadoras. 

Juan Camilo Plazas Ovalle é o Gerente de Comunicações da RSPO para as Américas. Para se conectar, envie um e-mail para: [email protected]

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